Review iPad Pro (2020): tablet ou computador?

Artigo Review iPad Pro

Desde que o iPad Pro foi apresentado pela primeira vez a 9 de setembro de 2015, muitos utilizadores ambicionam utilizá-lo como substituto definitivo do seu computador. Porém, viu-se logo desde o início que, apesar da sua potência de processamento, as limitações a nível de multitarefa não o permitiam atingir a produtividade reconhecida dos computadores.

Deste modo, será que, cinco anos depois, o iPad Pro chegou finalmente ao patamar que o permite assumir-se como “computador do dia-a-dia”? Ou ainda não passa de um tablet? É essa a pergunta que vamos procurar responder nesta review. Para isso, a GMS Store cedeu-nos para testes o novo iPad Pro de 11 polegadas, lançado no dia 24 de março, na versão de 128GB em cinzento sideral. Sem isso, esta review seria de todo impossível, pelo agradecemos ao nosso parceiro GMS Store por esta oportunidade única!

A review será dividida por vários tópicos, por forma a que possas analisá-los isoladamente antes de te decidires pela compra. Conforme disse anteriormente, o objetivo da review não é apenas responder à famosa pergunta “vale a pena”, mas sobretudo se este iPad Pro já pode substituir um computador no dia-a-dia.

Comecemos então pelo início, assim que tiramos o iPad da caixa.

Acessórios incluídos na caixa

A melhor maneira de veres as primeiras impressões do iPad Pro e tudo o que vem na caixa, é recordares o nosso unboxing:

Conforme podes ver, a caixa apenas inclui, além do iPad Pro, um cabo de carregamento USB‑C eadaptador de corrente USB-C de 18 W. Para ser sincero, pelo preço que a Apple pede – 909€ – deveria vir mais qualquer coisa, como por exemplo o Apple Pencil.

Mas o cenário ideal, se bem que pouco realista, seria termos disponível de imediato o novo Magic Keyboard. Esta nova capa para o iPad Pro, como o próprio nome indica, tem incorporado um teclado. Mas o grande diferencial para as capas anteriores é a inclusão de um trackpad, que permite tirar todo o potencial do novo iPadOS, com suporte a rato e trackpad.

Magic Keyboard para iPad Pro

Apesar do seu preço de 339,00€ para o modelo de 11 polegadas ser um grande “turn-off”, é um acessório praticamente indispensável para quem quer usá-lo como um computador. Ainda assim, há sempre opções mais em conta no mercado, sobretudo se considerarmos um teclado e rato bluetooth em separado. Para mim, a ausência destes acessórios na caixa é a Apple a dizer que o iPad é um tablet primeiro, e só depois poderá ser um computador.

Design

A meu ver, não há dúvidas – é aqui que o iPad Pro verdadeiramente brilha. O seu design é altamente futurista, principalmente para quem possui um modelo não Pro, como o meu caso. Dito isto, não seria nada contra se a Apple atualizasse ligeiramente o seu aspeto, por forma a distingui-lo do modelo anterior. Por exemplo, apresentado bordas pretas do ecrã menores. Mas acredito que seja uma opção estética por forma a manter o Face ID “compatível” com o ecrã ponta-a-ponta. Infelizmente, é algo que não acontece nos iPhones.

Outro aspeto impressionante é a espessura do dispositivo, de apenas 5,9mm e o seu peso, de 471 gramas. Tanta tecnologia num dispositivo tão portátil é mesmo fantástico! Além disso, também fiquei fã do design baseado em ângulos retos em vez de arestas curvas. Por isso estou pronto para o “iPhone 12” – venha ele!

Já a traseira destoa um pouco com o módulo de câmaras gigante. Mais abaixo continuamos a ter o smart connector, para ligar alguns acessórios como o novo Magic Keyboard. Nas laterais encontramos os típicos botões de volume e em cima o botão de energia. Em baixo, a presença da amada porta USB-C continua, para ligarmos mais acessórios, nomeadamente hubs com portas USB-A, HDMI, leitores de cartões SD, discos de armazenamento, etc.

Ecrã

A qualidade dos ecrãs LCD da Apple é indiscutível, mas é no iPad Pro que é mais evidente o quão formidável a imagem num dispositivo eletrónico pode ser. Para isso muito contribui o Ecrã Liquid Reina com ProMotion, cuja taxa de atualização pode chegar aos 120Hz. Basicamente isto quer dizer a imagem no ecrã deste iPad atualiza 120 vezes por segundo, o dobro do que acontece na maioria dos dispositivos. Deste modo, a transição entre imagens é muito mais suave, o que dá uma ideia de maior velocidade ao tablet da Apple.

Multitarefa no iPad Pro
Apesar das 11”, o ecrã torna-se pequeno se quisermos usufruir de todas as funcionalidades do Multitarefa. Na imagem, temos 2 apps lado a lado (split screen), Messenger em Slide Over e NOS em PiP.

Em relação às 11 polegadas do ecrã, são suficientes para a maior parte das tarefas. Mas se começarmos a ter necessidades muito profissionais, como trabalhar em Excel no modo split screen e em folhas de cálculo com mais informação, por exemplo, começa a tornar-se pequeno. Neste caso, a solução deverá passar pela versão de 12,9 polegadas. Mas para tudo o resto, como consumir conteúdo de vídeo, apps em ecrã inteiro, edição de imagem, etc., é mais que suficiente.

Som

Os altifalantes dos dispositivos Apple sempre me impressionaram, sobretudo nos MacBooks Pro dos últimos 4 anos. E posso dizer que este iPad Pro está “ela por ela” no que diz respeito à qualidade do som com esses MacBooks. Como é óbvio, o som mais grave sofre com a pouca espessura do iPad, mas quando comparado com muitas das colunas de som portáteis de gama média que há no mercado, diria que o iPad Pro está um pouco acima delas – dependendo do tipo de música.

A qualidade do som acaba por ser algo mais subjetivo do que, por exemplo, a qualidade do ecrã, pois a maior parte de nós estamos longe de ser audiófilos. Para os ouvidos mais sensíveis, poderá parecer um insulto eu considerar o áudio do iPad Pro bom. Ainda assim, esta é a opinião dos meus ouvidos.

iPadOS

Esta review do iPad Pro é focada no produto (hardware) e não tanto no software (iPadOS), uma vez que este tópico é praticamente transversal aos tablets da Maçã. Ainda assim, há algumas coisas que gostava de referir.

Conforme disse anteriormente em “Ecrã”, a multitarefa quando levada ao extremo pode parecer avassaladora para um ecrã de 11 polegadas. Mas o suporte a trackpad e rato introduzido recentemente ajudam muito neste aspeto. Algo que poderia ajudar muito a aumentar a produtividade no iPad Pro passaria por haver, por exemplo, uma “área de transferência” sempre presente no modo Slide Over. Por outras palavras, quando deslizamos o dedo junto ao lado direito do iPad para a esquerda e aparecem todas as apps que foram abertas neste modo, haver uma que permita colocarmos lá ficheiros que pretendemos transferir para outra app. Um género de Secretária (Mac) ou Ambiente de Trabalho (Windows) que sirva, de modo temporário, para mover ficheiros entre localizações. Fica a dica!

Começando a editor este artigo, no iPad Pro

Por exemplo a edição de texto está mais fácil que nunca, quase ao nível de um MacBook. A grande questão prende-se com o acesso a ficheiros, seja para incorporar imagens num artigo, seja para anexar um Excel ao Mail. Dá para fazer, mas é algo que um computador ainda faz melhor/mais rápido que o iPad. No entanto, se este tipo de tarefas for algo mais raro no teu dia-a-dia, então o iPad servirá para desenrascar nessas alturas.

O iPadOS 13, assim como o iOS 13, oferece uma panóplia de gestos úteis para facilitar a interação do utilizador com o dispositivo. Poderás recordar alguns desses gestos aqui. E a verdade é que esses gestos funcionam particularmente bem num ecrã de 11 polegadas

Safari

Com o iPadOS 13, a Apple disse que o Safari estava otimizado para comportar-se à altura de um desktop. Mas a verdade é que, apesar de funcionar bem em alguns sites, outros ainda o reconhecem como um browser mobile. E mesmo forçando-o a abrir o site em modo desktop, esta indicação é ignorada em alguns casos. Este primeiro passo dado pela Apple foi bom, mas precisamos de mais para o iPadOS 14 se queremos ter um browser ao nível dos existentes nos computadores.

Sidecar

Para terminar este tópico sobre software, gostava de deixar uma menção muito honrosa ao Sidecar. Para quem não sabe, esta funcionalidade permite espelhar o macOS num iPad, e o resultado neste iPad Pro é muito satisfatório. Chega até a roçar o desejo de muitos utilizadores de terem um sistema operativo completo como o macOS no iPad, mas sem grande interção do tipo touch screen, para já. Mas é uma sensação muito fixe, estarmos a ver todo o nosso conteúdo do Mac num ecrã do iPad Pro.

Basicamente, desde que ligados à mesma rede Wi-Fi, transformamos um Mac num MacBook, através do iPad. E sim, existem muitas soluções de terceiros que permitem esta experiência de acesso remoto, e até fora de casa, mas a comodidade de estar incorporada no próprio software é imbatível, ainda que limitada. Muito bom!

Câmaras

Câmaras-traseiras-do-iPad-Pro

A Apple resolveu dar um bombom a quem gosta de tirar fotos com o iPad e atualizou as câmaras do modelo Pro de 11 polegadas. Agora, temos uma lente grande angular de 12 MP com abertura de ƒ/1,8 e uma outra lente ultra grande angular de 10 MP com abertura de ƒ/2,4 e campo de visão de 125°. Já a câmara TrueDepth é de 7 MP.

E, de facto, as fotografias não são nada más, se considerarmos que foram tiradas com um tablet, conforme podes ver nestes exemplos.

Mas tal como seria de esperar, sempre que há pouca luz, o iPad Pro luta para conseguir apresentar uma fotografia de qualidade. Exemplo disso é a última foto das quatro, onde mostro o meu setup, e em que já é visível algum ruído na imagem.

Sensor LiDAR

Com efeito, a grande novidade deste novo iPad Pro de 11 polegadas reside precisamente no módulo de câmaras. Aqui agora temos um sensor LiDAR (light detection and ranging) que mede propriedades da luz refletida de modo a obter a distância entre objetos, pessoas, etc. O mesmo é dizer que tudo o que são apps de Realidade Aumentada que deem suporte a este sensor, apresentarão uma experiência muito mais precisa.

Exemplo disso é a app Fita Métrica. Nos testes que fiz, fiquei impressionado com a precisão, sobretudo se comparar com o desempenho do meu iPhone 11 Pro.

Verificando a precisão da App Fita Métrica com… uma fita métrica – impressionante!

De todas as medições que fiz, não registei mais do que 1cm de diferença entre a medida real, e isso só aconteceu ao medir coisas como móveis ou pessoas. No iPhone, por vezes acertava, outras vezes tinha margens de 2 a 3 centímetros. Mas por falar em pessoas, não deixa de ser curioso o recurso que mede automaticamente a altura. Basta abrir a app Fita Métrica e apontar o iPad para o sujeito.

Para referência, a altura real é 1,65cm!

Face ID

Agora o Face ID. Eu dou-me bastante bem com ele e uso desde o iPhone X. Mas se isso impedisse a Apple de fazer um smartphone com ecrã totalmente de ponta a ponta, então não me importava de deixar de tê-lo a favor de um Touch ID por baixo do ecrã.

No caso do iPad Pro, faz todo o sentido que o Face ID seja o método de autenticação biométrica. Uso o Touch ID no meu iPad de 9,7 polegadas não é nada conveniente para um dispositivo destas dimensões. Agora o que eu não compreendo é porque é que o Face ID no iPad Pro funciona quando o dispositivo está na horizontal e no iPhone não. Eu sei que existem mais circunstâncias no iPad Pro que motivem o seu uso na horizontal. Porém, apesar de menos, algumas dessas circunstâncias também existem no iPhone, como ao usar uma app que funcione na horizontal e requeira autenticação biométrica. A Apple tem mesmo de resolver esta questão no iPhone.

De resto, o Face ID funciona sem problemas, é rápido e bastante fiável. Pode acontecer por vezes termos a mão à frente da câmara que valida o nosso rosto. Mas nesse caso, o iPad avisa, pelo que não é um transtorno por aí além.

Performance

Sem grandes surpresas, a performance do iPad Pro é irrepreensível. Aqui, o “Pro” faz todo o sentido. Não foram muitos os dias em que pude usá-lo de forma intensiva, mas arrisco-me a dizer que para os mais atentos, notasse diferença de desempenho para, por exemplo, um iPhone 11 Pro. Já para o modelo anterior de iPad Pro, diria que não.

A transição entre apps, a abertura e fecho das mesmas assim como a experiência in-app ocorre sem sobressaltos. Mesmo com o multitarefa no “máximo”, todas as apps continuam tão responsivas como se apenas uma estivesse a ser usada. Essa mesma “suavidade” é verificada em apps que fazem uso mais intensivo do processador, como jogos e apps de edição.

Aliás, não é por acaso que circulam há já alguns anos rumores da Apple lançar um Mac com processadores próprios como acontece nos seus iDevices. A performance e eficiência energética é incomparável, tanto com a concorrência da Qualcomm, com os Snapdragon, como os da Intel e AMD. Neste aspeto, o iPad Pro está mais que pronto para substituir um computador portátil.

Bateria

A bateria do iPad Pro de 11 polegadas é competente. Não fiquei surpreendido com o seu desempenho, em termos de autonomia, mas chega perfeitamente para um dia inteiro de trabalho de 8 horas.

Com efeito, tentei simular essa intensidade, puxando por ele durante quase 5 horas e meia (imagem acima), e a bateria ficou nos 37% (carregado a 100%). Mas acredito que o iPad possa ser usado para um dia inteiro de trabalho, sem problemas de autonomia, e ainda restem uns pozinhos para as redes sociais, YouTube, etc.

Conclusão

Isso é tudo muito bonito, mas eu quero é saber se vale a pena…?

Se tens um iPad Pro de 11 polegadas de 2018, a resposta é, neste momento claramente não. Nem é preciso testar o novo para saber isso. A aplicabilidade da grande novidade – sensor LiDAR – é ainda muito limitada e a melhoria de performance muito marginal. O modelo de 2018 continua a ser uma besta de processamento, e se não tiras fotos nem trabalhas com Realidade Aumentada, nem penses mais no assunto.

Mas e o iPad Pro já substitui um computador portátil?

Aqui a resposta já não é tão clara, porque depende. Todos nós estamos habituados a trabalhar em computadores há anos e uma transição destas nunca seria fácil. A interface do iPad é mais amigável que a maioria dos computadores e Macs, mas em 90% dos casos, és mais eficiente a fazer uma determinada tarefa num PC/Mac que no iPad. Os 10% correspondem à parte do entretenimento, e aí o iPad não dá hipóteses.

Por outro lado, se não trabalhas com tabelas complexas do Excel, apresentações avançadas em Powerpoint, edição de fotos, vídeos e som ao nível profissional, este iPad Pro poderá ser suficiente para ti. Talvez para simplificar um pouco o meu veredito, vou pôr as coisas da seguinte maneira: o iPad Pro é suficiente para gerires a tua vida pessoal, mas ainda é um pouco limitado para gerir a vida profissional. Vai haver casos em que dá, outros que não. Para mim, não é suficiente para a parte profissional. Já para o blogue, até que “desenrasca” no que diz respeito a artigos. Porém, se quiser fazer uma imagem de raiz para um artigo, editar um podcast ou fazer uma live no Youtube, começo a “tropeçar”.

E depois, temos também o preço. É difícil justificar a compra de um iPad por 900€ (mais um teclado e rato…) e não ser tão produtivo como um computador de 700€. E se quisermos a versão com tamanho do ecrã equiparável à maior parte dos notebooks, então já começamos a falar em mais de 1.100€ e por mais 100€ temos um MacBook Air com o dobro do armazenamento.

Resumindo…

Os grandes pontos a favor do iPad Pro são a potência de processamento, a sua portabilidade/design, qualidade dos materiais – principalmente o ecrã – e interface simples e amigável. É um excelente “computador de casa”. Perfeito para o entretenimento e suficiente para fazer contas à vida. Se é isso que procuras, então este é o dispositivo mais incrível do mercado – e isso tem um preço. Mas se pensares em levar para o trabalho, é melhor reconsiderares, consoante as tuas funções.

Espero que este artigo te tenha ajudado no esclarecimento de dúvidas relativamente ao novo iPad Pro! Mais uma vez, muito obrigado à GMS Store por esta oportunidade!

Por fim, se tiveres alguma dúvida em concreto sobre o dispositivo, estás à vontade para falar comigo, seja via comentário ou mesmo diretamente por mensagem para o meu Facebook ou Twitter.

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