Mitos e verdades sobre a bateria dos nossos dispositivos

Há um componente nos nossos iPhones, MacBooks, ou iPads com o qual nunca estamos satisfeitos: a bateria. E, em pleno século XXI, com um smartphone de ponta na mão, continuamos a tratar este componente como se de matéria extraterrestre se tratasse! Se por um lado, temos equipamentos com cada vez mais capacidade de armazenar energia, por outro, persistem confusões de como tratar bem essa mesma bateria. 

Mas, antes de te darmos dicas e, inevitavelmente, te esclarecermos alguns mitos que, certamente, já ouviste no que às baterias diz respeito, importa clarificarmos o seguinte:

  • Equipamentos eletrónicos recentes estão dotados de baterias de lítio:
    • Estas não têm “memória”, ao contrário de outros tipos. Ou seja, não tens, nem deves, deixá-las descarregar totalmente; 
    • Baterias de lítio funcionam por ciclos e estão preparadas para durar várias centenas de ciclos. Um ciclo corresponde a um descarregamento completo de 100% a 0%.
  • Tempo de vida: é todo o tempo útil da bateria, desde que é colocada no equipamento, até necessitar de ser substituída;
  • Duração: é o tempo que a bateria demora a descarregar de 100% a 0%.

Tendo estes conceitos de base, vamos então às dicas e aos mitos das baterias.

1º Mito – É necessário realizar um carregamento inicial.

Tendo em conta que as baterias utilizadas atualmente nos equipamentos são à base de lítio, este mito é falso. Esta ideia deriva das antigas baterias NiCad, que podiam sofrer do chamado memory effect. Atualmente, as baterias têm um capacidade específica de armazenar energia que é tanto maior, quanto mais novo for o equipamento. Desta forma, a capacidade de armazenar energia é sensivelmente a mesma ao longo do tempo.

2º Mito – Deixar a carregar durante a noite provoca sobrecarga da bateria.

As baterias de lítio são controladas por chips dedicados que gerem o carregamento da bateria. Desta forma, quando é atingida a capacidade máxima de armazenamento, o carregamento pára, ainda que o carregador continue ligado. Com efeito, este mito é falso.

Porém, com a interrupção do carregamento, inicia-se o processo de descarga da bateria até ao 99%, altura em que o equipamento retoma a transmissão de energia para a bateria. Podem, no entanto, ocorrer fenómenos paralelos ao carregamento que terão impacto na degradação do tempo de vida da bateria:

  • Variação de temperatura. Ainda que carregar durante toda a noite a bateria não seja um problema, o aquecimento excessivo da bateria é. A Apple recomenda que os seus equipamentos se mantenham em intervalos de temperatura específicos – podes consultá-los na imagem abaixo – uma vez que determinadas gamas de temperatura afetam consideravelmente o tempo de vida da bateria. Desta forma, dormir com os equipamentos expostos ao calor, ou debaixo da almofada, não é, de todo, aconselhável. Aliás, por este motivo, se aconselha, também, a remoção de capas protetoras que possam impactar na dissipação do calor.
  • Cabos desadequados. Utilizar cabos de má qualidade, como por exemplo, cabos não certificados pelo Programa MiFi para carregar o iPhone, podem prejudicar o tempo de vida da bateria, uma vez que podem não possuir as especificações necessárias para carregar os equipamentos em questão. Por outro lado, carregadores rápidos não são ideiais para carregar o teu equipamento durante um longo período, mesmo que certificados. É verdade, o iPhone 11 Pro vem, de facto, com um carregador mais potente, mas, para carregar durante a noite, este não será o ideal. Deves, por sua vez, recorrer a carregadores menos potentes, que causam menos stress no carregamento do teu equipamento.
  • Utilizar o equipamento enquanto carrega. Na realidade, não existe nenhum problema assinalável em utilizar os equipamentos enquanto carregam. Contudo, deves ter em atenção que, carregar o teu smartphone enquanto recorres a um uso intensivo do processador do mesmo não é ideal. Quer o processo de carregamento, quer a execução de aplicações pesadas para o sistema, como por exemplo, jogos, potenciam o aquecimento do equipamento, fenómeno que, como referido, não é ideal. Tudo o resto, não tem impacto significativo.

3º Mito – Deixar o telemóvel descarregar completamente a bateria.

Se leste com atenção as notas iniciais, já sabes a resposta a este mito: é falso. O pior que pode acontecer a uma bateria de lítio, ao contrário das NiCad, é descarregar totalmente. Com efeito, os chips que controlam a bateria do teu equipamento, estão programados para desligar o equipamento antes da sua descarga real – e esse é o motivo pelo qual, quando o tentas ligar, este emitir luz, ou mostrar a pilha sem carga. 

Quando descarregas completamente uma bateria de lítio, o stress que é exercido na bateria para que esta recarregue é muito superior do que quando inicias o carregamento com 20 ou 30%. Na realidade, o ideal, é recarregares sempre o teu equipamento antes que este dê início ao modo poupança. Obviamente, no caso de não o conseguires carregar, recorrer a este modo de energia reduzida é o ideal, uma vez que desacelera o gasto da bateria e dá-te tempo para carregar, novamente, antes do equipamento se desligar.

Os novos iPhones 11 Pro e 11 Pro Max estão dotados de um novo sistema dinâmico de gestão da bateria.

Se recorreres a um carregador rápido, quando a bateria estiver nos 80/90%, desconecta o equipamento do carregador. O ideal é, por isso, manter a bateria no intervalo dos 30-80%.

4º Mito – As baterias ao fim de uns anos “viciam”.

Atentando a este mito de forma lata, é falso. Devido às suas características, as baterias de lítio, de facto, não ficam viciadas. Podes, por isso, carregá-las diversas vezes ao dia, com diferentes tempos e intervalos de carga sem afetar o tempo de vida da bateria.

No entanto, estas baterias vão-se degradando ao longo do tempo, ou seja, quanto mais velha a bateria é, menor a sua capacidade de armazenar energia e, desta forma, menor é a duração da bateria. Como referido anteriormente, o tempo de vida da bateria está relacionado com o número de ciclos que esta consegue assegurar, sendo que cada ciclo corresponde à duração da bateria que habitualmente vemos associada a um equipamento. A Apple, ainda que não comunique de forma clara quantos ciclos garante a uma bateria de lítio, refere que o tempo de vida útil das suas baterias corresponde ao número de ciclos que a bateria é capaz de armazenar 80% da capacidade original. Contudo, ressalva que este número depende do equipamento.

Assim, um ciclo da bateria corresponde à descarga de 100% da bateria, que pode, por isso, ser faseada. Na imagem acima, a Apple representa o conceito de ciclo, em percentagem de bateria. Neste caso, só ao fim de duas descargas, uma de 75%, mais uma de 25%, é que decorre um ciclo completo (100%).

Por estas razões, e ao contrário do que também já deves ter ouvido, deves atualizar sempre o sistema operativo do teu equipamento. As atualizações, por norma, visam, também, diminuir a sobrecarga de transações que os equipamentos executam e, com isto, o consumo de bateria. Aliás, este tema foi já uma polémica da Apple em 2017, uma vez que se provou que a empresa diminuía a capacidade de processamento de alguns equipamentos por forma a beneficiar a bateria dos mesmos.

Descobriste algo novo? Há algum mito sobre baterias não tenhas visto esclarecido? Deixa-nos a tua opinião nos comentários.

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