AirPods Pro podem marcar o início da revolução AR para a Apple

Os AirPods Pro ainda agora chegaram e já muito se especula sobre qual poderá ser o seu futuro, mas podem estes ser os primeiros equipamentos, produzidos pela Apple, direcionados para a Realidade Aumentada no áudio (AR, do inglês Augmented Reality)?

Num artigo de opinião publicado no site Macworld, Jason Snell, debruça-se sobre o que estes gadgets são capazes de oferecer, à data de hoje, e, por outro lado, o que podem indiciar do futuro dos aparelhos da Apple. Neste caso concreto, o autor, foca, principalmente, a funcionalidade Transparência (Transparency).

O modo transparência dos AirPods Pro permite ouvir o som exterior, recorrendo a um microfone localizado no exterior dos fones, sem que estes sejam removidos. Desta forma, artificialmente, é possível ouvir o exterior, enquanto ouvimos a nossa música. Mas, segundo alguns utilizadores, o som que ouvem é, inclusivamente, aperfeiçoado! Neste simples gesto, quase mágico, como a Apple tantas vezes descreve as capacidades dos AirPods, a gigante de Cupertino pode ter dado o primeiro passo na revolução da Realidade Aumentada no mundo do áudio.

Todos nós já tentamos gravar um vídeo ou um clip de áudio e, certamente, ficamos dececionados com alguns ruídos que o microfone vai captando e que não pretendíamos que fossem incluídos nesse mesmo clipe. Com efeito, quem produz conteúdo multimédia reúne-se dos melhores equipamentos para proceder à gravação das suas peças e, adicionalmente, podem, ainda, recorrer a softwares que removam esses mesmos ruídos. Contudo, as duas soluções anteriormente referidas ou são caras ou, no caso dos softwares, não produzem o resultado em tempo real.

Os AirPods, no futuro, e com uma maior capacidade de processamento, poderão permitir realizar as gravações dos clipes anteriormente referidos, corrigindo todos os sons, em tempo real, e, possivelmente, por um preço mais baixo que os equipamentos atualmente disponíveis. Tecnologia de ponta mais simples e disponível a todos.

A título de exemplo da utilidade desta tecnologia no dia-a-dia, como refere o autor, pode ser uma (tentativa) de conversa numa discoteca. Digo tentativa, porque à data de hoje, não é, de todo, possível realizar uma conversa nesse tipo de ambiente. Contudo, com um modo de transparência Pro (como lhe chama Jason Snell), um processador mais potente, e um software mais direcionado para a deteção de voz, poderia, no limite, ser possível ter uma conversa dita normal neste espaço, ouvida de forma clara.

Por outro lado, não menos realista (ou plausível), é o percurso que a Apple tem seguido na acessibilidade. Os últimos sistemas operativos do iPhone e do Mac, iOS 13 e macOS Catalina, respetivamente, representaram um salto, não só qualitativo no que à acessibilidade diz respeito, mas também clarificaram a missão da Apple em tornar a tecnologia acessível a todos. E, neste campo, quem sabe, os AirPods Pro, podem ser só o protótipo de uns auriculares com função de aparelho auditivo para pessoas com surdez parcial, por exemplo.

É certo que a Apple, ainda que cada vez mais focada na medição de parâmetros médicos e na promoção de um estilo de vida saudável, nunca produziu, nem se mostrou interessada em produzir, equipamentos médicos. Contudo, não é menos certo que a Apple tem marcado um trajeto claro no campo da realidade aumentada e os AirPods Pro, podem mesmo, ter sido o primeiro passo da gigante da maçã na realidade aumentada no campo do áudio.

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